Indiretas Felinas do Bem

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Me perguntam como sou bonito

Fãs,

Uma das perguntas que mais me fazem no meu ask.fm (http://ask.fm/borgesogato) é porque sou tão bonito ou como faço para ser tão bonito. Paro para refletir e chego a seguinte conclusão: se as pessoas perguntam muito isto é porque elas devem ser bem feias. Pois elas fossem muito bonitas, não estariam preocupadas em saber como faço pra ser bonito assim. Talvez o fato de elas não serem tão bonitas tenha a ver com a humanidade delas. Convenhamos, humanos não são lá muito bonitos, né? Um bebezinho é bonitinho, alguns velhinhos também. Mas, olhem um adolescente. Tem coisa mais feia que um adolescente? (Caros fãs adolescentes, nada contra vocês. Espero que vossa feiura passe tão logo cresçam um pouco mais).

Os humanos não devem se achar lá muito bonitos porque estão sempre cansados, desesperados, ansiosos, angustiados. Aí se olham no espelho e ganham 7 anos de azar. Dormissem como eu, brincassem como eu, comesse como eu, estariam muito melhores. Então, amados fãs, sei que minha beleza é genética, sei que uns deram sorte de nascer gato, outros não, mas seguir uma vida felina de descanso, comilanças e  brincadeiras deixa qualquer um mais bonito! Até você! hehe

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Sou lindo, sabe por quê? Nasci!

Títere, o passarinho

Fãs,

Aqui no castelo do tio Grey tem um tipo de ave estranha, maluca, olhos esbugalhados: batizei-a de Títere. O Títere só voa quando a gente quer, só come quando a gente quer, só brinca quando a gente quer. Quando digo a gente, digo gente no sentido humano mesmo, pois é geralmente a mão do papai ou da mamãe que dão vida ao Títere. É a ave mais sem graça dentre todas as aves que habitam o jardim do palácio, mas é a única que nos deixam pegar. Não só deixam, como incentivam. Papai diz assim: “meu filho é esperto, tá caçando o passarinho!” Ou seja, pro papai eu sou esperto justamente quando sou mais burro, porque estou correndo atrás de um passarinho sem vida. Mas eu corro, corro só para agradar o papai e a mamãe, igual algumas crianças humanas comem brócolis só para agradar seus pais, vão para escola só para agradar seus pais, tomam banho só para agradar seus pais. Meu pai, coitado, fica ali mexendo o Títere e fazendo sons estranhos com a boca. Eu finjo gostar, dou umas patadinhas até cansar, aí pego o Títere, penduro de volta na rede de proteção e volto a deitar no parapeito, olhando as mariposas que voam na noite, que só pelo fato de terem vida própria, são muito mais interessantes que qualquer marionete, ainda que seja de um espécime raro.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Esse é o Títere. Papai dublando ele como uma voz ridícula disse que está feliz em conhecer vocês.

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Papai fica sacudindo o Títere e falando: Filhãã-ão vem caçar o passarinho, vem!

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Por piedade ao meu pai, dou umas patadinhas no bicho

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Depois pego e penduro de volta na rede de proteção, onde é o lugar dele.

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Aí deito no parapeito, eu olhando para um lado, Títere para o outro. Eu admirando as mariposas e Títere os humanos, já que precisa deles pra viver.

Em volta da luz tem tanta vida

Fãs,

A minha varanda era escura, sem vida de noite. Eu olhava para o poste da rua, olhava de ficar noite inteira olhando, via besouro ao redor da luz, mosquito, barata, percevejo, mariposa, gambá subindo pelo poste. Na minha varanda só Christie e eu, nenhum bicho diferente para sabermos como é. Fui até o vovô e pedi para que colocasse uma lâmpada em nossa varanda para que os bichos pudessem vir se divertir aqui também. Minha varanda, agora, parece que tem uma fogueira de São João, parece que todos os insetos do mundo querem pular ao redor da fogueira, eles saltam, rodam, dançam ao redor da luz. Gosto de olhar aquela festa. Christie tenta brincar com um ou dois bichos de uma vez. Eu gosto de ver. Gosto de olhar como se a luz fosse uma chama que dançasse na frente dos meus olhos. Muitos bichos brincam ali até morrer, caem no chão sem vidinha alguma, numa prova enlouquecida que brincar é o que mais vale a pena nessa vida.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Minha visão, assim que houve luz na varanda pela primeira vez

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Nós assistindo à quadrilha dos bichos ao redor da fogueira de luz