Controle de qualidade

Fãs,

Antes de meu pai e minha mãe lerem, eu tento ler. Faço isso para ter um controle de qualidade. Para que perder tempo lendo coisas ruins? Já parei milhares de livros no primeiro capítulo, na primeira página e até na primeira frase. Mamãe lê uns textos da sua pós-graduação que são insuportáveis. Eu falo pra ela: “mamãe, você não deveria ler isto: é ruim, dói a vista!” Mas ela fala: “filho, é importante para a minha formação.” Formação para os professores é só o que agrega conteúdo bruto e não estético. Eu preferiria ser ignorante do que ler os textos que ela lê. Na verdade, por mais que eu tenha muitos livros, trago comigo só meia dúzia deles. São eles que sempre revisito, volto a ler e eles me parecem diferentes a cada vez que leio. Lembro a primeira vez que li “A Biblioteca de Babel” do meu xará. Ele me pareceu um emaranhado de frases surpreendentes. Depois li de novo e me pareceu uma grande odisseia. Li uma vez mais e já eram palavras próximas, lembrou-me até a minha biblioteca. Todas as vezes que li me provocou um prazer diferente: da descoberta à intimidade. Quando leio o texto “O balanced scorecard” que está nas mãos de minha mãe, é como se eu estivesse lendo o manual da televisão. O autor só quer ensinar, só quer passar conteúdo, como se todo escritor não devesse ter o mínimo de preocupação estética. Mas não. Ele só vê importância nas informações que estão ali, então ele se torna chato, enfadonho, ele se torna um Pierre Minard da vida real. Mamãe insistiu em ler. Unhei o texto. Minha mãe se escandalizou e colou o papel com durex. Eu quis libertá-la disso, mas ela é humana, pensa que será melhor pra ela assim. Pobres mães, endeusam as dores do parto para ter filhos.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Hálito frio

Olá, amiguinhos!!!! Tudo bem?  Sou eu, a Christie!

Papai do Céu resolveu soltar um bafo gelado sobre o mundo, né? Ele tá congelando meus ossinhos e é um frio que vem de dentro pra fora. É como se Deus soprasse de dentro de mim.  Vi na internet que os ursos polares estão morrendo de frio, os pinguins tiveram que engrossar o pano de seus ternos, as focas precisaram de aquecedores e eu que sou gatinha? Meu casaquinho de pelo não tá dando conta e mamãe não deixou eu ir ao shopping comprar outro. Então, me enfio debaixo do edredom e passo o dia inteirinho num lugar quentinho como se fosse uma barriga de mãe. Eu queria hibernar que nem os ursos, mas já que não hiberno, vou me recolher até que venha o sol. E aí vou nascer de novo pra brincar na varanda, visitar o Christelo, correr atrás de mosquitos. Não é tempo de caçar, é tempo de ser caçada por este frio e caça esperta não dá bobeira fora da toca.

Lambeijos

Ass.: A gata Christie

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Me perguntam como sou bonito

Fãs,

Uma das perguntas que mais me fazem no meu ask.fm (http://ask.fm/borgesogato) é porque sou tão bonito ou como faço para ser tão bonito. Paro para refletir e chego a seguinte conclusão: se as pessoas perguntam muito isto é porque elas devem ser bem feias. Pois elas fossem muito bonitas, não estariam preocupadas em saber como faço pra ser bonito assim. Talvez o fato de elas não serem tão bonitas tenha a ver com a humanidade delas. Convenhamos, humanos não são lá muito bonitos, né? Um bebezinho é bonitinho, alguns velhinhos também. Mas, olhem um adolescente. Tem coisa mais feia que um adolescente? (Caros fãs adolescentes, nada contra vocês. Espero que vossa feiura passe tão logo cresçam um pouco mais).

Os humanos não devem se achar lá muito bonitos porque estão sempre cansados, desesperados, ansiosos, angustiados. Aí se olham no espelho e ganham 7 anos de azar. Dormissem como eu, brincassem como eu, comesse como eu, estariam muito melhores. Então, amados fãs, sei que minha beleza é genética, sei que uns deram sorte de nascer gato, outros não, mas seguir uma vida felina de descanso, comilanças e  brincadeiras deixa qualquer um mais bonito! Até você! hehe

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Sou lindo, sabe por quê? Nasci!

Títere, o passarinho

Fãs,

Aqui no castelo do tio Grey tem um tipo de ave estranha, maluca, olhos esbugalhados: batizei-a de Títere. O Títere só voa quando a gente quer, só come quando a gente quer, só brinca quando a gente quer. Quando digo a gente, digo gente no sentido humano mesmo, pois é geralmente a mão do papai ou da mamãe que dão vida ao Títere. É a ave mais sem graça dentre todas as aves que habitam o jardim do palácio, mas é a única que nos deixam pegar. Não só deixam, como incentivam. Papai diz assim: “meu filho é esperto, tá caçando o passarinho!” Ou seja, pro papai eu sou esperto justamente quando sou mais burro, porque estou correndo atrás de um passarinho sem vida. Mas eu corro, corro só para agradar o papai e a mamãe, igual algumas crianças humanas comem brócolis só para agradar seus pais, vão para escola só para agradar seus pais, tomam banho só para agradar seus pais. Meu pai, coitado, fica ali mexendo o Títere e fazendo sons estranhos com a boca. Eu finjo gostar, dou umas patadinhas até cansar, aí pego o Títere, penduro de volta na rede de proteção e volto a deitar no parapeito, olhando as mariposas que voam na noite, que só pelo fato de terem vida própria, são muito mais interessantes que qualquer marionete, ainda que seja de um espécime raro.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Esse é o Títere. Papai dublando ele como uma voz ridícula disse que está feliz em conhecer vocês.

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Papai fica sacudindo o Títere e falando: Filhãã-ão vem caçar o passarinho, vem!

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Por piedade ao meu pai, dou umas patadinhas no bicho

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Depois pego e penduro de volta na rede de proteção, onde é o lugar dele.

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Aí deito no parapeito, eu olhando para um lado, Títere para o outro. Eu admirando as mariposas e Títere os humanos, já que precisa deles pra viver.

Em volta da luz tem tanta vida

Fãs,

A minha varanda era escura, sem vida de noite. Eu olhava para o poste da rua, olhava de ficar noite inteira olhando, via besouro ao redor da luz, mosquito, barata, percevejo, mariposa, gambá subindo pelo poste. Na minha varanda só Christie e eu, nenhum bicho diferente para sabermos como é. Fui até o vovô e pedi para que colocasse uma lâmpada em nossa varanda para que os bichos pudessem vir se divertir aqui também. Minha varanda, agora, parece que tem uma fogueira de São João, parece que todos os insetos do mundo querem pular ao redor da fogueira, eles saltam, rodam, dançam ao redor da luz. Gosto de olhar aquela festa. Christie tenta brincar com um ou dois bichos de uma vez. Eu gosto de ver. Gosto de olhar como se a luz fosse uma chama que dançasse na frente dos meus olhos. Muitos bichos brincam ali até morrer, caem no chão sem vidinha alguma, numa prova enlouquecida que brincar é o que mais vale a pena nessa vida.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Minha visão, assim que houve luz na varanda pela primeira vez

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Nós assistindo à quadrilha dos bichos ao redor da fogueira de luz

 

Sacrifícios em prol da fofura

Fãs,

Já falei aqui com vocês sobre a Estética da Fofura (se não leu, clique aqui ). Como toda estética, ela exige dedicação, alguns sacrifícios e trabalho. Vovó é uma artesã da fofura. Ela potencializa ainda mais as fofurices dos gatos daqui do Castelo do Grey. Vovó é como aquela moça que coloca a cerejinha no bolo, ela pode não deixar o bolo melhor, mas com certeza deixa mais fofo. Mas a Christie não liga muito para exercer esta estética, ela só quer saber de correr, pular, rolar no chão. Mario Grey é impaciente e acha que para ser fofo basta governar seu castelo. Eu não. Eu sou adepto de ficar mais fofo sempre: usar toucas, gravatas, óculos… a fofura para mim é ilimitada e é rumo ao infinito de fofurice que quero caminhar.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Mario Grey fica ainda mais rabugento quando usa touquinha

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Christie acha que touquinha atrapalha suas aventuras

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Eu não, diferente deles: estou sempre a serviço da estética da fofura e em busca de ser cada dia mais fofo

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Ai, como sou fofo!!!

 

Amigo novo

Olá, amiguinhos! Tudo bom??

Fazer novas amizades é ter novas histórias. Amo ter novos amigos, o Borginho não. Eu tenho um novo amigo que se chama Mario Grey, ele é meu tio. Com ele aprendo coisas novas: como sair correndo pelas escadas, como subir na cadeira da vovó. Pra ele, eu ensino novas coisas: como escalar as paredes, como correr atrás da bolinha de papel. Ter novos amigos, traz também novos problemas. Mario Grey se irritou comigo e me deu uma patada no nariz. Fez dodói. Borginho me disse que por isso que as amizades não valem a pena, pois elas machucam mais do que trazem alguma coisa boa. Borginho se olha no espelho e não vê nenhum machucado. Eu vejo um arranhão no nariz, mas pra mim não é como machucado que vejo, vejo como uma história pra contar. Amigos deixam marcas mesmo, deixam tantas histórias boas, por isso que é legal.

Ass.: A gata Christie

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Grey estava sozinho no mundo

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Fui chegando devagarinho

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Pra lhe fazer companhia

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Com minha nova cicatriz no nariz, rimou. hihihi