Divã do Borges 5 – Blizzard, o gato cosmopolita

divã

 

Fãs, clientes, pacientes.

Mais uma quarta-feira, mais um caso.

Venho desenvolvendo uma teoria em que 99% das vezes quem possui a culpa dos distúrbios felinos é a mãe. Desta vez recebo em meu consultório virtual uma mãe que se acha psicogata, enquanto ela vai descrevendo o caso de seu filho, ela mesma vai analisando. Vamos ler seu relato:

O Relato

Caro Borges, saudações!

Apenas recentemente tive conhecimento de tuas habilidades terapêuticas, através do brilhante desfecho da análise da gata Malu-ca, cuja descrição foi publicada em “Divã do Borges”.

Resolvi trazer a ti o caso da gata Blizzard, a flor de meu coração. Há evidências fortes de conflito de personalidade (ou bipolaridade?), pois Blizzard hora acredita ser um tigre, hora um porquinho da Índia.

Talvez o conflito tenha iniciado já em seu batismo: batizada Blizzard (que em inglês significa “tempestade de neve”) e morando em Porto Alegre, onde o verão é escaldante, teve já aí afetada sua percepção das coisas; ou ainda o agravo do choque cultural de ter mãe brasileira e pai alemão. Não se sabe como um gato lida com isso. Ainda muito jovem, com menos de dois anos de idade, mudou-se para a Alemanha, cruzando bravamente o oceano. Finalmente em seu elemento – a neve – e então com dupla cidadania, a vida começou a fazer mais sentido para Blizzard, que rapidamente impôs sua forte personalidade sobre os cachorros e gatos alemães um tanto bobocas e dominou a vizinhança.

Tudo se desenrolava normalmente até o dia em que hospedamos dois porquinhos da índia de uma amiga que saía de férias. Isso mudaria a vida de Blizzard – não, mudaria Blizzard! – de forma irreversível. Imediatamente os porquinhos exerceram atração irresistível sobre a pequena tirana que passou cada minuto daquela semana junto a seus queridinhos. Mas os pequeninos foram levados de volta para seu lar, e Blizzard jogou em nossa cara sua ácida verdade: “Eles são tudo pra mim.”

Em caráter de emergência, não tivemos outra opção senão incorporar rapidamente à família adoráveis porquinhos (Mozart, o garoto, e Borboleta, Lola e Karamell Bombom, as meninas), que se tornaram a razão de ser de Blizzard. Eis que começam a surgir ratinhos e passarinhos mortos no “chiqueirinho” dos porquinhos. E Blizzard não compreende por que seus filhotes não comem a caça que ela lhes traz com tanto zelo!

Passado pouco mais de um ano, Blizzard é sim uma porquinha da índia, mas ainda é também um pequeno tigre. Eventualmente precisa passar um tempo com outros tigres (de pelúcia), porque no fundo estes é que lhe entendem a alma. Não sei até que ponto este conflito lhe causa sofrimento, por isso recorro a ti.

Borges, que me dizes?

Vamos analisar:

Fãs, este é um dos casos mais fáceis que peguei em toda a minha vida. Vamos lá:

1 – Temos um gato, porquinhos e cadáveres.

2- Convenhamos, quem está aí para os ratinhos e passarinhos? Só foram criados para ser caça de felinos mesmo. Só não acho que fica bem aí na Europa ele carregar esses corpos assim, ensine-o as normas de etiqueta européia e, em breve, ele poderá ir aos grandes restaurantes e cafés da União Europeia comer ratinhos e passarinhos já assados e usando talheres.

3 – Os cachorros e gatos alemães são para Blizzard uns bobocas. Interessante! Informação anotada.

4 – Mãe, não se preocupe, seu filho não possui nenhum trauma ligado ao nome, nenhuma crise em sua felinidade, não se acha um porquinho da índia, nada disso. O problema dele é outro.

Solução do caso:

1 – O problema é único! Ele sofre de Crise de Nacionalidade Aguçada. Como brasileiro que viajou para a Alemanha, ele não conseguiu identificação com os gatos e cães alemães que nasceram ali e nunca saíram dali.

2 – Por que Porquinhos da Índia? Porque afinal, assim como ele é um gato brasileiro, os porquinhos são indianos. Então compreendem esta coisa de sair de um país de origem e ir morar na Alemanha. Sendo assim, tanto Blizzard quando os porquinhos possuem extrema afinidade por estarem em terra estrangeira.

4- Quando Blizzard leva para eles sua caça, só está querendo ensiná-los hábitos aqui de sua terra natal, mas como os porquinhos são indianos, eles não gostam deste tipo de alimentação brasileira, preferem comer ervas, gafanhotos e outras coisas estranhas. Ah, jamais deixe o Blizzard oferecer um sachê de carne de vaca para os porquinhos indianos, eles sairiam extremamente ofendidos.

5- O que recomendo, mãe, é que para aumentar o ciclo de amizades de seu filho e ajudá-lo a superar a Crise de Nacionalidade Aguçada, você tenha em casa não só os porquinhos da Índia, mas também Galinhas D’Angola e Vacas Holandesas. Estes são animais muito apegados aos seus países e poderão compartilhar a experiência de estar fora de sua terra! Ah, jamais deixe Blizzard fazer amizade com um pastor alemão!

Mais um caso resolvido!

Até a próxima.

Dr. Borges, o gato.

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Blizzard estava só na longínqua e fria Alemanha

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Até que o gatinho brasileiro arrumou amigos indianos para conversar e aquecer a vida

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Divã do Borges 4 – Mia e bate

Caros fãs, clientes, pacientes!

Desta vez temos aqui no Divã a Gatinha Mia, troquei e-mails com a sua mãe. Vamos acompanhar:

E-mail 1

Olá, Borges!
Preciso da sua ajuda…
Mia tem 3 anos, única filha de 4 patas.
A Mia é mtoooooo brava, não gosta de outros gatinhos, adora dar tapa nos desprevenidos e arranhar é com ela mesmo.

O que devo fazer para ela ficar mais boazinha?

Ass: Gaby, a dona com os braços mais arranhados do mundo 🙂

Resposta : Huuum… q caso interessante. poderia falar um pouco mais sobre o caso? Quando ela age assim e por quê?

E-mail 2

Então Borges,
A Mia sempre foi uma gatinha bem arisca, nunca gostou de outros gatinhos. Por mais simpáticos que fossem, ela sempre os recebia com um “fzzzzz”.
Até na hora de brincar ela é bruta kkkk Sai correndo pela casa e dá tapa nas pernas dos outros de graça.
Geralmente ela arranha pra valer qdo estamos fazendo carinho, primeiro ela começa a ronronar e do nada dá um golpe certeiro, segurando com as patinhas da frente, chutando com as patinhas de trás e mordendo freneticamente!!!!! (o estrago desses ataques está em uma das fotos que te mandei, do meu braço).
Às vezes ela fica carente, vem até o computador me chamar, mas logo começa a me morder kkkkkkkk
O mais interessante é que a minha filha de quase 2 anos ela não arranha e nem morde com força… o máximo que ela faz é dar uns tapas qdo minha filha tenta fazer carinho nela!!!

Bjos

Vamos analisar:

1 – Uma coisa que tenho notado em todas as mães que escrevem para mim, é que elas riem no meio do atendimento. O filho delas está se clinicando com um psicogato e elas estão achando isso engraçado. Já não se faz mais mães como antigamente. Isso aqui é sério, tias!

2 – Reparem que esta mãe tem chance de ser perigosa, ela disse que a filha Mia é a única de 4 patas. Isto me fez pensar na seguinte hipótese: será que ela tem mais gatinhos e arrancou as patinhas deles??? #tenso

3 – Segundo ela, a Mia não gosta de outros gatinhos e arranha todo mundo, mas reparem que no segundo e-mail a mãe já começa a se contradizer, ela diz: “O mais interessante é que a minha filha de quase 2 anos ela não arranha e nem morde com força.” Huuuummm….

4 – Ela fica “segurando com as patinhas da frente, chutando com as patinhas de trás e mordendo freneticamente.” Essa gatinha é uma exímia lutadora de UFCat, invista nela, mãe.

A solução do caso:

1 – Ela possui energia acumulada, reações explosivas, habilidade para artes marciais. O melhor a se fazer é matriculá-la em aulas de luta específicas para gatos. Há muitos professores bons de UFCat por aí.

2 – O porquê de ela arranhar a mãe: Na verdade ela sofre de um complexo chamado de Trauma da Sem-noçãozice Materna ou Trauma Batismal é extremamente comum em mães humanas. Este trauma foi adquirido quando ela foi batizada com o nome de Mia, pois para todos os felinos, Mia é o que o gato faz e não como o gato se chama. Isto é o mesmo que colocar o nome de uma criança de Fala. Imaginem. Olá, Gaby, que criança, linda, qual é o nome dela? Ah, o nome dela é Fala. TRAUMATIZANTE!

3 – O motivo de ela não gostar de outros gatos é que, como ela sofreu este Trauma Batismal, todo gato que chega perto dela a submete a bullying miando ao seu lado e a relembrando que ela possui não um nome, mas um verbo conjugado.

4 – O melhor para consertar esta situação é colocar um sobrenome nela bem imponente como Albuquerque, Magalhães, e passar a chamá-la pelo sobrenome, isto gerará o que chamamos na psicologia de Bullying Inverso e ela poderá se curar do trauma dentro de alguns anos.

Espero ter esclarecido todas as dúvidas.

Mais um caso resolvido.

Próximoooooo!

Ass.: Dr. Borges, o gato.

Mia

Esta é a Mia, ou melhor, de agora em diante, está é a Senhorita Albuquerque!

gordinha (2)

Olhem a tamanha violência dessa felina! Perigosíssima!!! Será um novo golpe de UFCat?

MiaeZah

Reparem que com a irmãzinha ela fica bem. Também, se a gatinha se chama Mia, a criança deve se chamar Francisca Frederica!

Miabrava

A mãe que criou o trauma! É, isso que pode acontecer quando a gente escolhe o nome errado dos nossos filhos.

 

 

 

 

Divã do Borges 3 – Thor, o meu guri

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Caros fãs, clientes, pacientes!

Estamos diante de mais um caso intrigoso, intrigante, intriguento, intriGATO! Um caso que os humanos não podem solucionar, mas eu, Borges, o psicogato, posso! Recebi um e-mail de uma mãe que precisa ser ajudada, pois teme que seu filho possa acabar até mesmo detrás das grades! Vamos ao caso:

Olá. Meu nome é Marcia e sou mãe do Thor, um gatinho mto ativo e brincalhão. Ele tem uma mania q não consigo entender:ele carrega coisas. Todos os tipos de coisas: saquinhos plásticos vazios, retalhos de tecidos, abre as gavetas e tira as toalhas, já chegou a carregar até uma manta…nem sei como conseguiu. Qdo acordo tem um monte de coisas na porta do quarto q ele deve ter carregado enquanto eu estava dormindo. É até engraçado, mas será que é alguma neurose?? Por favor, gostaria da ajuda de vcs. Grata.

Márcia Cristina Roseira

Vamos analisar:

1 – Reparem que o gato possui o mesmo nome do filho do Eike Batista: THOR! Logo, ele já traz consigo instintivamente a certeza da impunidade e da liberdade por poder fazer tudo em nome de sua família rica.

2 – A mãe diz que ele tem mania de carregar coisas! Carregar coisas??? Tem mãe que é cega, né? Até onde sei isto vai contra a lei, logo, é roubo. Será isto mesmo????? Será que temos um ladrão em nosso divã?

3 – Reparem os objetos furtados: saquinhos plásticos vazios, retalhos de tecidos, toalhas, mantas.

4 – “É até engraçado!” Engraçado?? Esta, mãe! Ai, esta mãe. Mãe, conhece essa música? É pra você.

A solução do caso:

1 – Um caso como este é muito complexo, pois trabalha com hipóteses que poderão ir além do divã e acabar nos bancos das delegacias.   Porém, nem tudo necessariamente é o que parece e nem sempre o culpado é realmente quem parece. Entenderam? Não? Observem com mais calma, vamos ao 2.

2 – Reparem nos itens supostamente roubados: “saquinhos plásticos VAZIOS, retalhos, toalhas, mantas. Antes de trabalhar com a hipótese de roubo, prefiro trabalhar com uma das duas hipóteses:

                           a) Ele é um Artista! – na verdade, estes retalhos, sacos, mantas são objetos necessários para a escultura que está montando com objetos subaproveitados pelos humanos.

                            b) Ele sofre da Síndrome do Gato Friorento. Muitos gatos vivem enrolados em mantas, panos, cobertores faça frio, faça sol. É possível que este seja um exemplar destes. Como não tem nada para se cobrir, ele precisa furtar para não morrer de frio. É na verdade, não um simples roubo, mas uma luta pela sobrevivência. Mas, vamos continuar que pode não ser isto ainda:

3 – Para que o gatinho Thor não pegue mais as coisas, é possível agir de duas maneiras: a) Dê a ele as coisas, aí ele não precisará roubar. b) Tranque as portas e gavetas com chave.

4 – E a análise decisiva, a análise conclusiva, a análise final, a ANÁLISE DA FOTO que mudará todo o rumo de nossa análise. Olhem bem a imagem que chegou até mim, olhem atentamente a imagem do pobre Thor:

CAM00357Reparem que por trás da cara de gato louco, por trás dos panos supostamente furtados, está UMA MÃO! SIIIIM! Uma mão e gatos não têm mãos! TÊM PATAS! Então, isto significa que provavelmente estamos diante de um caso de ESQUIZOFRENIA MATERNA. Esta mãe rouba a si própria e incrimina o pobre Thor! É, fãs, o que parecia um grande mistério, aos meus olhos, tornou-se apenas mais um caso resolvido.

Não deixem de contribuir com os pareceres de vocês nos comentários!

Até o próximo caso na semana que vem.

Divã do Borges 2 – A gata MALUca

divã

Caros fãs, clientes, pacientes! Estamos hoje diante de nosso segundo caso de psicogatice. Um caso muito interessante enviado pela tia Raquel Franco. Vamos ler o depoimento. E depois vamos para a análise. Ah, lembre-se, se você tem um gato com parafusos a menos ou com algum problema psicofelino, mande para mim: borgesogato@hotmail.com

Olá, boa tarde Borges,

Eu tenho uma gata que já veio possuído para a minha casa. É a Malu. Quando á encontramos, ela estava em um terreno baldio miando como se não houvesse amanhã e foi resgatada sendo içada com uma cordinha com o bumbum virado pra lua. Oferecemos comida e ela não queria, só queria carinho.
E é assim até hoje, ela é estremamante carente, depois dela adotamos mais 6 gatos, quase impossível de dar atenção exclusivamente pra ela, que falta entrar dentro da guela da gente pra obter o tal do carinho, ela quer entrar em nossos quartos, aprendeu até abrir a maçaneta, é terrível! O que fazer Borges seu lindo?

Beijos, Raquel

Vamos analisar:

1

Reparem que esta gata é induzida pelos próprios pais adotivos à loucura, com tantos nomes para colocar Mel, Fifi, Mimi… eles resolvem colocar MALU!! A gata passa o dia ouvindo que é Malu e completando mentalmente “MALUca” e ainda querem que ela cresça normal e saudável.

2

Seus pais além de tudo estão desperdiçando fortuna. Se ela foi içada com a bunda pra lua, isso é sinal de dinheiro, tanto que os humanos costumam dizer: “nasceu de bumbum pra lua!”

3

Sobre querer carinhos além de comida, lembrem que há gatos que tem fome de comida, mas há outros que tem fome de carinhos. Já dizia aquela música que ouvi uma vez por aí: “gatinho não quer só comida, gatinho quer bebida, diversão e arte!”

4

Se ela sabe abrir maçanetas, faça um videozinho e coloque no Youtube, a fama poderá entretê-la.

5

Percebo que é um clássico caso de Síndrome de Coçar Gatinho Eterna, ela gosta tanto de ser coçada que quer passar a vida assim, mas devem explicar a ela que a vida não é só coçadinhas, tem colinho, comidinha, soninho e brincadeirinha também. =^.^=

Solução:

a) Uma forma de a gatinha se tornar menos carente é fazer com que ela gaste sua energia com outras coisas, compre brinquedos de gatos como os que estão abaixo que com certeza ela vai poder se entreter com outras coisas que não sejam vocês.

túnel felino 01

Um-brinquedo-especial-para-os-gatos

b) Não achem que ela é doida, provavelmente mais doida que ela é você, tia.

c) Se ela abre as maçanetas, tranquem as portas e esconda as chaves, vai que ela aprende a usar as chaves também.

d) Caso ela ainda não seja castrada, não esqueça de castrá-la, isto ajudará bastante.

e) Nada dando certo: contratem uma empregada para passar o dia dando carinho nela. Eu, particularmente, acho que é a melhor solução.

Esta é a Malu, minha paciente de hoje

Esta é a Malu, minha paciente de hoje

Malu, a surtadinha!

Malu, a surtadinha!

Bom, fãs, mais um caso resolvido pelo incrível doutor Borges.

Me escrevam contando também o caso de vocês. Até o próximo atendimento na próxima semana.

Divã do Borges 1 – Briga de irmãos

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Caros fãs, clientes, pacientes, digamos assim!

Nosso primeiro caso é de uma mãe desesperada que possui filhos que sofrem do complexo de Caim e Abel. Leiam atentamente:

1Um caso, fãs, funciona com o levantamento de questões, depois tentaremos respondê-las:

1 – Será que estes filhotes só falam português e estão com dificuldade de entender a mãe que fala inglês?

2 – Por que será que é a novata que está atacando e não o contrário?

3 – Por que será que o Taco, irmão mais velho, está sendo tão paciente?

Vamos entender mais o caso neste e-mail que recebi desta mãe desesperada:

Quanto te escrevi la no face ela ficava muito brava com ele, agora a situação inverteu. Ele chega perto dela e ela sai correndo e gritando como se estivessem tirando o couro pra fazer pandeiro. A única hora que eles não brigam se estão perto, é quando dormem (nas raras ocasiões que dormem perto um do outro) e quando tem petisco… daí até batem as cabeças de tão perto que chegam.

Se precisar de mais detalhes da situação Dr. Borges é só falar.
 
Chris
Agora podemos analisar:
1
O que parece é que em um primeiro momento, o irmão mais velho estava se fazendo de desentendido e querendo conhecer o que é aquilo que estava na sua frente. Há uma famosa Síndrome Do Que É Gato que felinos que vivem sozinhos sofrem. Eles são tão sozinhos desde sempre que acabam não sabendo ou esquecendo o que é um gato, então, quando se encontram com um, não conseguem reconhecer. Neste primeiro momento, é possível que Taco estivesse sem saber o que era aquilo que estava ali, já o novato, experiente de rua e recém desmamado, aproveitou a ignorância do outro para marcar seu pedaço.
2
Outra síndrome muito famosa entre os felinos é a Síndrome de Caim e Abel. Ora, fãs, todos sabem, até entre humanos que é muito comum matar um irmão aqui, outro ali, isto ocorre desde que o mundo é mundo e é um processo natural para a psiquiatria mais séria. Sendo assim, eles, neste momento, estão tentando se matar, mas como é muito difícil matar alguém usando só unhas e dentes e como não é hábito felino usar revólveres e facas, logo desistirão e terão que se acostumar um com a cara do outro.
3
Há porém, além destas duas síndromes uma famosa e pouco perceptível síndrome que é a Síndrome do Gato Sonso.  A filhote sai correndo, toda vez que Taco chega perto dela porque provavelmente, como irmão mais velho e experiente, Taco já lhe enfiou a porrada fora dos olhos da mãe. Sendo assim, é importante averiguar se a pequena não adquiriu um Trauma de Pata Felina na Fuça.
4
A mais comum síndrome entre os gatos é Síndrome do Casei com a Casa. Os humanos dizem não entender esta síndrome, pois dizem não ser tão apegados ao lar como os felinos. Os felinos sofrem quando alguém usa o seu lar e não quer dividi-lo. Para o humano entender o que é isso, deve imaginar que o lar é a sua esposa ou o seu marido. Você deixaria alguém usar seu marido ou sua esposa? O mesmo pensa o felino, ele casou com a casa e ninguém mais pode usá-la. Porém, com o tempo, o felino pode se adaptar a tudo e deixar que outros gatos usem a sua casa. Bom, os humanos, dizem, com o tempo, também podem se acostumar e deixar que usem seu marido e sua esposa.
Soluções:
a) Una os dois como se une um casal romântico. Prepare bons momentos pra eles, fazendo brincadeiras juntos, dando comidas e petiscos aos dois ao mesmo tempo.
b) Dê objetos de um ao outro, assim eles aprendem a cheirar e dividir as coisas.
c) Coloque areias separadas para que possam ter privacidade pelo menos na hora de ir ao banheiro.
d) Se forem brigar, se embolarem ou coisa do tipo, separe-os com jatos de água.
E a mais importante:
e) Castre os gatos, pois gato sem saco não tem como ficar de saco cheio do irmão!!
Experiência própria:
Minha irmã e eu levamos cerca de 1 semana para nos aproximarmos e tivemos algumas briguinhas por 1 mês. Mas o senhor meu pai e a senhora minha mãe deixavam-nos cheirando objetos um do outro e um engaiolado e outro solto para cheirar, como vocês podem ver neste link aqui: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Hu0HSW1pmWs
Espero que a consulta tenha ajudado. Aguardo próximos casos.
Mande o seu caso  para borgesogato@hotmail.com e escreva no título do e-mail: DIVÃ DO BORGES
Taco e Olive no Divã do Borges

Olive e Taco no Divã do Borges