Controle de qualidade

Fãs,

Antes de meu pai e minha mãe lerem, eu tento ler. Faço isso para ter um controle de qualidade. Para que perder tempo lendo coisas ruins? Já parei milhares de livros no primeiro capítulo, na primeira página e até na primeira frase. Mamãe lê uns textos da sua pós-graduação que são insuportáveis. Eu falo pra ela: “mamãe, você não deveria ler isto: é ruim, dói a vista!” Mas ela fala: “filho, é importante para a minha formação.” Formação para os professores é só o que agrega conteúdo bruto e não estético. Eu preferiria ser ignorante do que ler os textos que ela lê. Na verdade, por mais que eu tenha muitos livros, trago comigo só meia dúzia deles. São eles que sempre revisito, volto a ler e eles me parecem diferentes a cada vez que leio. Lembro a primeira vez que li “A Biblioteca de Babel” do meu xará. Ele me pareceu um emaranhado de frases surpreendentes. Depois li de novo e me pareceu uma grande odisseia. Li uma vez mais e já eram palavras próximas, lembrou-me até a minha biblioteca. Todas as vezes que li me provocou um prazer diferente: da descoberta à intimidade. Quando leio o texto “O balanced scorecard” que está nas mãos de minha mãe, é como se eu estivesse lendo o manual da televisão. O autor só quer ensinar, só quer passar conteúdo, como se todo escritor não devesse ter o mínimo de preocupação estética. Mas não. Ele só vê importância nas informações que estão ali, então ele se torna chato, enfadonho, ele se torna um Pierre Minard da vida real. Mamãe insistiu em ler. Unhei o texto. Minha mãe se escandalizou e colou o papel com durex. Eu quis libertá-la disso, mas ela é humana, pensa que será melhor pra ela assim. Pobres mães, endeusam as dores do parto para ter filhos.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

468

Anúncios

Dica cultural 27 – Os gatos de Vicky

dica_cultural

 
Olá, fãs! Tudo bom?

Conheci uma artista que é extremamente apaixonada por felinos e que pinta lindos quadros enquanto seus gatinhos servem de modelo e admiram seu trabalho. O nome dela é Vicky Dollabela.

Para conhecer mais de seu trabalho, você pode visitar seu site: http://www.vickydolabella.com.br/index.asp

Separei alguns quadros dela. Suas obras me lembram pinturas primitivas e rupestres. É como se Vicky voltasse às cavernas e substituísse os bisões pelos gatos.  Reconstruindo esta origem, ela reconstrói a admiração e a relação do humano com os felinos. Suas cores escuras e suas silhuetas gatunas parecem ter sido pintadas com sangue por uma artista que tem sangue de gatos correndo pelas veias.

gat069

gat062

gat037

gat072

gat075

gat081

gat082

gat090

Hálito frio

Olá, amiguinhos!!!! Tudo bem?  Sou eu, a Christie!

Papai do Céu resolveu soltar um bafo gelado sobre o mundo, né? Ele tá congelando meus ossinhos e é um frio que vem de dentro pra fora. É como se Deus soprasse de dentro de mim.  Vi na internet que os ursos polares estão morrendo de frio, os pinguins tiveram que engrossar o pano de seus ternos, as focas precisaram de aquecedores e eu que sou gatinha? Meu casaquinho de pelo não tá dando conta e mamãe não deixou eu ir ao shopping comprar outro. Então, me enfio debaixo do edredom e passo o dia inteirinho num lugar quentinho como se fosse uma barriga de mãe. Eu queria hibernar que nem os ursos, mas já que não hiberno, vou me recolher até que venha o sol. E aí vou nascer de novo pra brincar na varanda, visitar o Christelo, correr atrás de mosquitos. Não é tempo de caçar, é tempo de ser caçada por este frio e caça esperta não dá bobeira fora da toca.

Lambeijos

Ass.: A gata Christie

466

467